Saber como calcular o capital de giro de uma farmácia é fundamental para manter o negócio funcionando, pagar fornecedores nos prazos combinados e evitar dificuldades financeiras, mesmo em períodos de queda nas vendas.
Isso é especialmente importante no setor farmacêutico, pois uma parcela significativa dos recursos da empresa costuma ficar concentrada em estoques de medicamentos, suplementos, produtos de higiene, cosméticos e outros itens.
Além disso, existem despesas que precisam ser pagas independentemente do volume de vendas, como salários, aluguel, energia, sistemas, impostos e fornecedores.
Por isso, uma farmácia pode apresentar um bom faturamento e, ainda assim, enfrentar falta de dinheiro no caixa.
Neste conteúdo, a Five Consultant Contabilidade explica o que é capital de giro, como calcular, apresenta exemplos práticos e mostra como descobrir quanto sua farmácia precisa manter disponível para funcionar com segurança.
O que é capital de giro de uma farmácia?
O capital de giro corresponde aos recursos necessários para financiar as atividades do negócio no curto prazo.
Na prática, existe um intervalo entre o momento em que a farmácia desembolsa dinheiro e o momento em que efetivamente recebe pelas vendas.
Imagine uma farmácia que compra R$ 80 mil em mercadorias de seus fornecedores. Parte desses produtos pode permanecer várias semanas no estoque antes de ser vendida.
Quando a venda acontece, ainda existe outro fator: o recebimento.
Nas vendas realizadas no cartão de crédito, por exemplo, pode existir um prazo entre a compra do cliente e a entrada efetiva do dinheiro na conta da empresa.
Enquanto isso, a farmácia continua tendo compromissos como:
- Pagamento de fornecedores;
- Folha de pagamento;
- Aluguel;
- Impostos;
- Energia elétrica;
- Sistemas e softwares;
- Serviços contábeis;
- Reposição de mercadorias.
O capital de giro ajuda justamente a sustentar a operação durante esse intervalo.
Como calcular o capital de giro de uma farmácia?
Uma das formas mais utilizadas para analisar o capital de giro é calcular o Capital Circulante Líquido (CCL).
A fórmula é:
Capital de Giro = Ativo Circulante – Passivo Circulante
O ativo circulante reúne valores e bens que podem ser convertidos em dinheiro no curto prazo, como:
- Dinheiro disponível em caixa;
- Saldo bancário;
- Aplicações financeiras de curto prazo;
- Contas a receber;
- Estoque de medicamentos e demais produtos.
Já o passivo circulante corresponde às obrigações que precisam ser pagas no curto prazo, incluindo:
- Fornecedores;
- Impostos;
- Salários e encargos;
- Empréstimos de curto prazo;
- Aluguel;
- Contas operacionais;
- Outras obrigações.
Vamos considerar uma farmácia com a seguinte situação:
Ativo circulante
Caixa e bancos: R$ 50.000
Contas a receber: R$ 70.000
Estoques: R$ 180.000
Total: R$ 300.000
Agora, imagine que a empresa tenha:
Passivo circulante
Fornecedores: R$ 140.000
Impostos: R$ 20.000
Folha e encargos: R$ 35.000
Outras obrigações: R$ 25.000
Total: R$ 220.000
Portanto:
R$ 300.000 – R$ 220.000 = R$ 80.000
Nesse exemplo, a farmácia possui capital circulante líquido positivo de R$ 80 mil.
No entanto, esse número sozinho não é suficiente para avaliar a saúde financeira da empresa.
O que é necessidade de capital de giro?
Para administrar uma farmácia, também é muito importante conhecer a Necessidade de Capital de Giro (NCG).
Enquanto o CCL apresenta uma fotografia da posição financeira de curto prazo, a NCG ajuda a identificar quanto a operação precisa financiar em função dos seus prazos de recebimento, estoque e pagamento.
Uma fórmula simplificada é:
NCG = Ativos Operacionais Circulantes – Passivos Operacionais Circulantes
Nos ativos operacionais podem entrar principalmente: estoques + contas a receber.
Nos passivos operacionais, temos principalmente: fornecedores + outras obrigações operacionais.
Imagine que determinada farmácia apresente:
- Estoques: R$ 200.000;
- Contas a receber: R$ 100.000;
- Fornecedores: R$ 160.000;
- Obrigações operacionais: R$ 40.000.
Nesse caso:
NCG = (R$ 200.000 + R$ 100.000) – (R$ 160.000 + R$ 40.000)
NCG = R$ 100.000
Isso significa que a operação exige aproximadamente R$ 100 mil em recursos para financiar seu ciclo financeiro, considerando essa fotografia simplificada.
É justamente nesse ponto que muitos empresários percebem por que faturamento elevado não significa necessariamente dinheiro sobrando.
Por que o estoque influencia tanto o capital de giro da farmácia?
O estoque é um dos principais pontos de atenção na gestão financeira de uma farmácia.
Cada medicamento parado na prateleira representa dinheiro que já foi investido, mas ainda não retornou ao caixa.
Se a farmácia mantém R$ 400 mil em estoque quando poderia operar adequadamente com R$ 250 mil, existem aproximadamente R$ 150 mil adicionais imobilizados em mercadorias.
Além disso, estoque excessivo aumenta outros riscos, como:
- Vencimento de medicamentos;
- Perdas e avarias;
- Produtos com baixa saída;
- Necessidade de promoções;
- Redução das margens para liquidar itens;
- Falta de dinheiro para comprar produtos de maior giro.
Por outro lado, reduzir demais o estoque também pode ser prejudicial. A falta de medicamentos importantes gera perda de vendas e pode fazer o consumidor procurar um concorrente.
Por isso, a solução não é simplesmente ter menos produtos, mas trabalhar com estoque adequado ao giro de cada categoria.
Quanto de capital de giro uma farmácia deve ter?
Não existe um valor único que possa ser aplicado a todas as farmácias. Uma farmácia que fatura R$ 100 mil mensais possui necessidades completamente diferentes de outra que movimenta R$ 1 milhão por mês.
Além do faturamento, devem ser considerados fatores como:
- Despesas mensais;
- Tamanho do estoque;
- Prazo dos fornecedores;
- Prazo de recebimento;
- Sazonalidade;
- Nível de endividamento;
- Margem de contribuição;
- Crescimento esperado das vendas.
Por isso, utilizar simplesmente uma regra como “manter três meses de despesas no caixa” pode não refletir a realidade do negócio.
O ideal é calcular a necessidade com base no ciclo operacional e financeiro da própria farmácia e manter também uma reserva adequada para situações inesperadas.
Sua farmácia precisa melhorar a gestão financeira?
Saber como calcular o capital de giro de uma farmácia é essencial para tomar decisões mais seguras e evitar que um negócio lucrativo enfrente dificuldades por falta de recursos disponíveis.
Como vimos, não basta acompanhar o saldo bancário ou o faturamento.
É necessário analisar estoques, contas a receber, fornecedores, despesas, prazos e ciclo financeiro para descobrir quanto a operação realmente precisa.
Nesse cenário, contar com uma contabilidade especializada no segmento farmacêutico pode fazer a diferença.
A Five Consultant Contabilidade pode ajudar sua farmácia a organizar seus números, acompanhar indicadores, analisar custos e tributos e tomar decisões com base em informações confiáveis.
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