Como calcular o preço de venda na indústria? Essa é uma decisão que influencia diretamente a margem de lucro, a competitividade e a capacidade de crescimento de qualquer indústria.
O cálculo é mais complexo do que simplesmente verificar quanto custa produzir determinada mercadoria e acrescentar uma margem. Para chegar ao preço adequado, é necessário considerar matéria-prima, mão de obra, custos indiretos, despesas, impostos, comissões, margem desejada e condições do mercado.
Uma indústria pode apresentar um excelente volume de vendas e, ainda assim, enfrentar dificuldades financeiras quando seus produtos estão precificados incorretamente.
Neste conteúdo, a Five Consultant Contabilidade explica como calcular o preço de venda na indústria, apresenta um exemplo prático e mostra quais informações não podem ficar de fora da formação do preço.
Por que calcular corretamente o preço de venda na indústria?
O preço precisa cumprir pelo menos três funções: cobrir os custos, pagar as despesas e gerar lucro.
Quando o preço fica abaixo do necessário, aumentar as vendas pode até piorar o problema. Afinal, quanto maior o volume comercializado, maior poderá ser o prejuízo.
Por outro lado, simplesmente aumentar os preços não resolve tudo. Se o valor ficar muito acima daquele praticado pelos concorrentes sem uma justificativa percebida pelo cliente, a indústria pode perder mercado.
Por isso, precificação exige equilíbrio entre três dimensões:
- Custos internos de produção;
- Margem necessária para o negócio;
- Preço que o mercado aceita pagar.
A contabilidade gerencial é fundamental para transformar essas informações em números confiáveis.
Quais custos entram no preço de venda da indústria?
O primeiro passo é conhecer quanto realmente custa produzir. Dentro de uma indústria, existem custos diretos e indiretos.
Os custos diretos são aqueles que podem ser associados com maior facilidade a determinado produto.
Imagine uma fábrica de móveis. Madeira, ferragens e componentes utilizados em uma mesa podem ser mensurados por unidade produzida.
Entre os principais exemplos estão:
- Matéria-prima;
- Embalagens;
- Componentes;
- Mão de obra diretamente relacionada à produção.
Já os custos indiretos são necessários para a operação industrial, mas nem sempre podem ser atribuídos diretamente a uma única unidade.
Podemos citar manutenção das máquinas, supervisão da fábrica, depreciação de equipamentos e determinados gastos com energia.
Esses custos precisam ser distribuídos entre os produtos utilizando critérios adequados.
Qual é a diferença entre custo e despesa?
Essa diferenciação é importante para calcular o preço de venda corretamente.
- Custo está relacionado à produção. Matéria-prima utilizada na fabricação é um exemplo.
- Despesa, por sua vez, está relacionada à administração ou comercialização do negócio.
Podemos considerar despesas:
- Marketing;
- Setor administrativo;
- Honorários;
- Sistemas;
- Comissões comerciais;
- Determinadas despesas financeiras;
- Estrutura do escritório.
Embora essas despesas não façam parte fisicamente da fabricação, elas precisam ser pagas pelo dinheiro gerado pelas vendas.
Portanto, ignorá-las na formação dos preços pode produzir uma falsa sensação de lucratividade.
Como calcular o custo unitário de um produto?
Depois de identificar os custos, é necessário calcular quanto cada unidade efetivamente consome.
Considere uma indústria que produza 10.000 unidades mensais de determinado item.
Durante o período, ela apresenta:
- Matéria-prima: R$ 100.000
- Mão de obra produtiva: R$ 30.000
- Outros custos diretos: R$ 10.000
- Custos indiretos atribuídos à produção: R$ 40.000
O custo industrial total seria: R$ 100.000,00 + R$ 30.000,00 + R$ 10.000,00 + R$ 40.000,00 = R$ 180.000,00
Dividindo pela produção: R$ 180.000,00 ÷ 10.000,00 = R$ 18,00 por unidade.
Portanto, cada produto apresenta, nesse exemplo simplificado, um custo industrial de R$ 18,00.
Mas isso ainda não significa que basta vender por R$ 18,00 mais o lucro desejado. Existem outros componentes.
Como os impostos afetam o preço de venda?
A tributação possui impacto significativo na precificação industrial. Uma indústria pode estar enquadrada no Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, e cada regime possui regras próprias.
Além disso, dependendo do produto e da operação, podem existir diferentes tratamentos tributários. Por isso, copiar a margem utilizada por outra empresa é perigoso.
Uma indústria pode possuir créditos tributários relevantes enquanto outra não possui a mesma estrutura. Com a Reforma Tributária, essa análise ganha ainda mais importância devido à implementação da CBS e do IBS, que substituirão gradualmente os tributos atuais.
A lógica de créditos do novo sistema também precisará entrar na formação dos preços. Consequentemente, o setor fiscal e a contabilidade precisam participar ativamente das decisões comerciais.
O que é markup e como utilizá-lo na indústria?
O markup é uma metodologia bastante utilizada para ajudar a chegar ao preço de venda.
Ele considera os percentuais que incidem sobre a receita, como impostos, comissões, despesas e margem de lucro desejada.
Uma fórmula simplificada é: Markup divisor = 1 – (percentuais incidentes sobre a venda)
Depois: Preço de venda = custo ÷ markup divisor
Imagine um produto com custo de R$ 50,00.
Considere:
- Impostos: 10%
- Comissão: 5%
- Despesas variáveis: 5%
- Margem desejada: 20%
A soma corresponde a 40%.
Então: Markup divisor = 1 – 0,40 = 0,60
O preço seria: R$ 50,00 ÷ 0,60 = R$ 83,33
Assim, vender por R$ 75,00 simplesmente adicionando 50% ao custo não produziria necessariamente a margem imaginada.
Essa é uma diferença importante entre markup sobre custo e margem sobre venda.
Como calcular o preço de venda na indústria na prática?
Vamos utilizar outro exemplo. Imagine uma indústria que calculou um custo unitário de R$ 80,00.
Sobre o preço de venda, considere hipoteticamente:
- Tributos: 12%;
- Comissão comercial: 4%;
- Outras despesas variáveis: 4%;
- Margem de contribuição desejada após esses componentes: 25%.
A soma é: 12% + 4% + 4% + 25% = 45%.
O markup divisor será:
1 – 0,45 = 0,55.
Logo: Preço de venda = R$ 80,00 ÷ 0,55
Preço de venda = R$ 145,45.
Agora podemos conferir.
De uma venda de R$ 145,45, aproximadamente R$ 65,45 seriam destinados aos componentes percentuais considerados no cálculo, enquanto R$ 80,00 corresponderiam ao custo utilizado como base.
O exemplo é simplificado, mas demonstra por que a precificação precisa ser matemática e não intuitiva.
O preço dos concorrentes deve entrar no cálculo?
Sim, mas como referência de mercado, e não como única base. Imagine que sua indústria calcule que determinado produto precisa ser vendido por R$ 150,00 mas tem concorrentes que comercializam produtos equivalentes por R$ 120,00.
Simplesmente reduzir para R$ 120,00 pode destruir sua margem. Nesse caso, é necessário descobrir por que existe essa diferença.
O concorrente pode:
- Comprar matéria-prima mais barato;
- Produzir em maior escala;
- Possuir processo mais eficiente;
- Trabalhar com margem menor;
- Ter tributação diferente;
- Oferecer um produto com especificações diferentes.
Essa análise pode revelar oportunidades de redução de custos. O mercado funciona como um teste de realidade para a precificação.
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Saber como calcular o preço de venda na indústria exige muito mais do que adicionar um percentual ao custo da matéria-prima.
É necessário conhecer custos diretos e indiretos, despesas, impostos, comissões, capacidade produtiva e margem desejada. Depois disso, o preço calculado ainda precisa ser confrontado com a realidade do mercado.
Sem essas informações, a indústria corre o risco de vender muito e lucrar pouco.
A Five Consultant Contabilidade pode ajudar sua indústria a transformar informações contábeis em ferramentas de gestão, analisando custos, tributação, margens e indicadores importantes para a tomada de decisões.
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