Saber como calcular o CMV de uma farmácia é fundamental para entender quanto realmente custa aquilo que o estabelecimento vende e, consequentemente, se a margem obtida é suficiente para pagar as demais despesas e gerar lucro.
Uma farmácia pode apresentar um faturamento elevado e, mesmo assim, enfrentar dificuldades financeiras. Isso acontece porque vender muito não significa necessariamente vender com boa margem.
Se o custo dos medicamentos, produtos de higiene, cosméticos e demais mercadorias consumir uma parcela muito grande da receita, sobrará pouco dinheiro para pagar folha, aluguel, energia, sistemas, taxas e outras despesas.
É nesse cenário que entra o CMV — Custo das Mercadorias Vendidas.
Neste artigo, a Five Consultant Contabilidade explica como calcular o CMV de uma farmácia, apresenta um exemplo prático e mostra como utilizar esse indicador para melhorar os resultados do negócio.
O que é CMV de uma farmácia?
O CMV representa o custo das mercadorias que efetivamente foram vendidas pela farmácia em determinado período.
É importante destacar a expressão “efetivamente vendidas”.
Quando a farmácia compra R$ 100 mil em medicamentos durante determinado mês, isso não significa necessariamente que seu CMV naquele período foi de R$ 100 mil.
Parte dessas mercadorias pode continuar no estoque e ser vendida somente nos meses seguintes.
Por isso, para calcular corretamente o indicador, é necessário considerar três informações:
- Estoque inicial;
- Compras realizadas no período;
- Estoque final.
A partir desses números, é possível descobrir quanto custaram as mercadorias que saíram do estoque em razão das vendas.
O acompanhamento do CMV ajuda a responder uma pergunta essencial: Quanto de cada R$ 100 faturados pela farmácia está sendo consumido pelo custo dos produtos vendidos?
Quanto maior essa parcela, menor tende a ser o espaço disponível para cobrir despesas e gerar resultado, considerando os demais fatores constantes.
Qual é a fórmula para calcular o CMV de uma farmácia?
A fórmula básica é:
CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final
Vamos entender cada componente.
- Estoque inicial: Valor das mercadorias disponíveis no começo do período analisado.
- Compras: Valor das mercadorias adquiridas durante o período, considerando os critérios contábeis adequados para composição do custo.
- Estoque final: Valor das mercadorias que permaneceram disponíveis ao final do período.
Imagine uma farmácia que começou o mês com R$ 150 mil em estoque.
Durante o mês, comprou mais R$ 120 mil em mercadorias.
Ao realizar o levantamento no último dia do período, verificou que ainda possuía R$ 140 mil em estoque.
O cálculo seria:
- CMV = R$ 150.000 + R$ 120.000 – R$ 140.000
- CMV = R$ 130.000
Portanto, o custo das mercadorias vendidas naquele período foi de R$ 130 mil.
Essa informação, entretanto, se torna ainda mais útil quando comparada ao faturamento da farmácia.
Como calcular o percentual de CMV da farmácia?
Depois de descobrir o CMV em reais, é possível calcular quanto ele representa sobre as vendas.
A fórmula é:
CMV (%) = CMV ÷ Receita de vendas × 100
Vamos continuar com o exemplo anterior.
Imagine que a farmácia tenha registrado R$ 250 mil em vendas durante o mês e apresentado CMV de R$ 130 mil.
Teremos:
CMV (%) = R$ 130.000 ÷ R$ 250.000 × 100
CMV = 52%
Isso significa que, a cada R$ 100 vendidos, R$ 52 correspondem ao custo das mercadorias vendidas.
Restam R$ 48 antes da consideração das demais despesas e custos do negócio.
É importante não interpretar esses R$ 48 como lucro. A farmácia ainda precisa arcar com salários, encargos, aluguel, energia elétrica, sistemas, marketing, despesas administrativas e diversos outros gastos.
Por isso, CMV e lucro são conceitos diferentes.
O que pode aumentar o CMV de uma farmácia?
Quando o percentual de CMV começa a crescer, é importante investigar o motivo.
Um dos fatores pode ser o aumento dos preços praticados pelos fornecedores sem um reajuste proporcional nos preços de venda.
Mas essa não é a única possibilidade.
O CMV também pode ser pressionado por problemas como:
- Compras realizadas em condições desfavoráveis;
- Descontos excessivos nas vendas;
- Alterações no mix de produtos vendidos;
- Erros de estoque;
- Perdas e avarias;
- Vencimento de medicamentos e outros produtos;
- Furtos ou desvios;
- Falhas no registro de entradas e saídas.
Existe ainda o efeito do mix de vendas.
Uma farmácia pode comercializar produtos com margens muito diferentes. Se em determinado mês aumentar significativamente a participação de itens com margens menores no faturamento, seu CMV percentual poderá subir mesmo que não exista necessariamente um problema nas compras.
Portanto, um CMV elevado precisa ser investigado, e não apenas observado.
Qual é o CMV ideal para uma farmácia?
Não existe um único percentual de CMV que possa ser considerado ideal para todas as farmácias.
O indicador varia conforme localização, porte, estratégia comercial, fornecedores, perfil dos clientes e principalmente o mix de mercadorias.
Uma farmácia com grande participação de medicamentos pode apresentar uma estrutura de margem diferente de outra que venda proporcionalmente mais dermocosméticos, suplementos, produtos de higiene ou itens de conveniência.
Por isso, o acompanhamento deve considerar principalmente o histórico da própria empresa e sua estratégia de margem.
Se a farmácia normalmente opera com CMV de 55% e o indicador começa a subir para 58%, 60% ou 62%, por exemplo, existe um sinal que merece investigação.
Uma diferença aparentemente pequena pode representar muito dinheiro.
Em uma farmácia que fatura R$ 300 mil mensais, cada ponto percentual equivale a R$ 3 mil sobre o faturamento.
Uma deterioração de quatro pontos percentuais na relação entre CMV e vendas representa R$ 12 mil em um único mês.
Como reduzir o CMV de uma farmácia?
Reduzir o CMV não significa simplesmente comprar os produtos mais baratos disponíveis.
A gestão precisa considerar preço, prazo, giro, volume e rentabilidade.
Entre as estratégias que podem ser avaliadas estão:
- Negociar melhores condições com fornecedores;
- Comparar preços antes das compras;
- Reduzir compras excessivas de produtos de baixo giro;
- Acompanhar produtos próximos do vencimento;
- Revisar descontos concedidos;
- Analisar margem por categoria;
- Controlar diferenças de estoque;
- Melhorar o planejamento de compras.
Também é interessante acompanhar o CMV mensalmente, comparando o indicador com faturamento, margem bruta, despesas e lucro.
Dessa maneira, a farmácia deixa de descobrir problemas somente quando falta dinheiro no caixa e passa a identificar mudanças de margem com antecedência.
Sua farmácia acompanha o CMV todos os meses?
Como vimos, saber como calcular o CMV de uma farmácia é essencial para entender quanto às mercadorias vendidas realmente custam e qual margem está sobrando para sustentar a operação.
A fórmula é relativamente simples:
CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final
Entretanto, o verdadeiro valor desse indicador está na análise.
É necessário acompanhar sua evolução, investigar variações, controlar estoques, avaliar o mix de produtos e relacionar o CMV às demais despesas da empresa.
A Five Consultant Contabilidade conta com expertise no segmento farmacêutico e pode ajudar sua empresa a transformar números contábeis e financeiros em informações úteis para a tomada de decisão.
Quer entender se o CMV da sua farmácia está comprometendo sua margem e seus resultados? Entre em contato com a Five Consultant Contabilidade e conte com uma equipe especializada em farmácias.