Como formar preço de venda na indústria
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Formar o preço de venda na indústria exige conhecer quanto realmente custa fabricar cada produto, quanto a empresa gasta para vendê-lo e qual margem precisa obter para sustentar a operação.

O cálculo é mais complexo do que simplesmente pegar o custo da matéria-prima e acrescentar 30%, 40% ou 50%.

Uma indústria possui mão de obra, máquinas, energia, manutenção, perdas de produção, embalagens, despesas administrativas, tributos, comissões e diversos outros gastos que precisam ser pagos pelas vendas.

Por isso, um produto pode parecer lucrativo e, na prática, gerar uma margem muito pequena ou até prejuízo.

Neste artigo, a Five Consultant explica como estruturar a formação do preço de venda na indústria e mostra um exemplo prático para facilitar o cálculo.

O que precisa entrar na formação do preço de venda?

O primeiro passo é entender que preço de venda e custo de produção são coisas diferentes.

O custo industrial mostra quanto a empresa gasta para fabricar determinado produto.

Já o preço precisa ser suficiente para cobrir os custos, contribuir para o pagamento das despesas da empresa, absorver os valores incidentes sobre a venda e proporcionar o resultado esperado.

Entre os elementos que precisam ser analisados estão:

  • Matéria-prima;
  • Componentes;
  • Embalagens;
  • Mão de obra;
  • Energia utilizada na produção;
  • Manutenção;
  • Depreciação das máquinas;
  • Perdas e desperdícios;
  • Despesas administrativas;
  • Logística;
  • Comissões;
  • Tributos;
  • Margem desejada.

Além disso, o preço calculado internamente precisa ser confrontado com aquilo que o mercado aceita pagar.

Portanto, existem duas perguntas diferentes: 

  • Quanto precisamos cobrar para que o produto seja rentável?
  • Quanto o cliente está disposto a pagar por ele?

A precificação precisa conciliar essas duas respostas.

Como descobrir o custo de produção de cada produto?

O ponto de partida é uma boa estrutura de custos. Imagine uma indústria que fabrica 10 mil unidades mensais de determinado produto.

No período, os gastos relacionados à fabricação foram:

  • Matéria-prima: R$ 120.000;
  • Embalagens: R$ 20.000;
  • Mão de obra produtiva: R$ 40.000;
  • Outros custos diretamente atribuídos: R$ 10.000;
  • Custos indiretos de fabricação atribuídos ao produto: R$ 50.000.

O custo industrial seria: R$ 120.000 + R$ 20.000 + R$ 40.000 + R$ 10.000 + R$ 50.000 = R$ 240.000

Dividindo pelas 10 mil unidades: R$ 240.000 ÷ 10.000 = R$ 24,00 por unidade

Esse é o primeiro número que a empresa precisa conhecer. 

Entretanto, R$ 24,00 ainda não é o preço de venda.

A empresa possui despesas e valores incidentes sobre as vendas que também precisam ser considerados.

Como os custos indiretos podem distorcer o preço?

Um dos maiores desafios da indústria está justamente nos custos que não podem ser relacionados diretamente a uma unidade.

Considere uma fábrica com três linhas de produtos utilizando as mesmas máquinas.

  • Quanto da manutenção pertence ao produto A?
  • Quanto da depreciação deve ser atribuída ao produto B?
  • Quanto da supervisão da fábrica está relacionada ao produto C?

É necessário utilizar critérios de apropriação e rateio coerentes.

Um rateio mal elaborado pode fazer um produto absorver custos demais enquanto outro recebe custos de menos.

O resultado pode ser perigoso: Produto A parece pouco lucrativo, mas está absorvendo custos excessivos.

Enquanto: Produto B parece extremamente rentável porque parte dos custos que deveria carregar foi atribuída a outro item.

Por isso, indústrias com diversos produtos precisam analisar a rentabilidade por SKU, família ou linha, em vez de observar apenas o resultado geral da empresa.

Como formar o preço de venda com markup?

Uma das metodologias utilizadas na precificação é o markup. Ele permite considerar percentuais que incidem sobre a receita e a margem pretendida.

Uma fórmula simplificada é: Markup divisor = 1 – (percentuais considerados no preço)

Depois: Preço de venda = custo base ÷ markup divisor

Vamos voltar ao produto com custo industrial de R$ 24,00.

Considere, apenas para fins didáticos:

  • Tributos sobre a receita: 10%;
  • Comissão: 5%;
  • Outras despesas variáveis: 5%;
  • Margem pretendida: 20%.

Somando: 10% + 5% + 5% + 20% = 40%

Logo:

Markup divisor = 1 – 0,40 = 0,60

Preço:

R$ 24,00 ÷ 0,60 = R$ 40,00

O preço calculado seria R$ 40,00 por unidade.

Essa metodologia evita um erro muito comum: confundir percentual aplicado sobre o custo com margem sobre o preço de venda.

O preço do concorrente deve ser usado como referência?

Sim, mas não deve substituir o cálculo interno. Suponha que sua indústria chegue a um preço de R$ 150,00 enquanto concorrentes vendem produtos equivalentes por R$ 125,00.

Reduzir imediatamente para R$ 125,00 pode transformar uma venda lucrativa em prejuízo.

Primeiro, investigue a diferença.

O concorrente pode:

  • Comprar matéria-prima por um preço menor;
  • Possuir maior produtividade;
  • Trabalhar com escala superior;
  • Utilizar tecnologia diferente;
  • Ter menos desperdícios;
  • Possuir outra estrutura tributária;
  • Aceitar uma margem menor;
  • Entregar um produto com especificações diferentes..

Se o mercado aceita R$ 125,00 e sua indústria precisa cobrar R$ 150,00 o problema talvez não esteja no preço. Pode estar no custo.

Essa conclusão é muito mais útil do que simplesmente conceder desconto.

Quando revisar o preço de venda?

O preço não deve ser calculado uma vez e permanecer indefinidamente na tabela. É necessário revisar a precificação quando houver mudanças relevantes em:

  • Matéria-prima;
  • Salários;
  • Energia;
  • Fretes;
  • Câmbio;
  • Produtividade;
  • Capacidade utilizada;
  • Tributação;
  • Comissões;
  • Despesas;
  • Mercado.

Também é importante comparar periodicamente: Preço previsto × custo real × margem prevista × margem realizada.

Imagine que um produto tenha sido precificado para gerar margem de contribuição de 35%, mas os relatórios dos últimos três meses indiquem 27%.

A gestão precisa descobrir por quê.

Pode ter ocorrido aumento de matéria-prima, crescimento das perdas, concessão excessiva de descontos ou algum custo não considerado inicialmente.

Como melhorar a formação de preços da indústria?

O primeiro passo é abandonar a precificação baseada exclusivamente em percentual padrão ou preço dos concorrentes.

Uma indústria precisa saber quanto custa fabricar e vender cada produto.

Depois, deve acompanhar indicadores como:

  • Custo unitário;
  • Margem de contribuição;
  • Lucratividade por produto;
  • Desperdícios;
  • Capacidade ociosa;
  • Ponto de equilíbrio;
  • Preço médio realizado;
  • Descontos concedidos.

A precificação deixa, então, de ser apenas uma conta comercial e passa a fazer parte da gestão financeira.

Uma empresa pode faturar milhões e continuar com dificuldade de caixa se vender produtos com margens insuficientes.

Por outro lado, conhecer a rentabilidade de cada linha permite decidir onde aumentar produção, quais produtos precisam de reajuste e quais custos precisam ser reduzidos.

A Five Consultant Contabilidade pode ajudar sua indústria a organizar custos, analisar margens, avaliar a tributação e transformar os números contábeis em informações para decisões de preço.

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